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Mercado ImobiliárioSão Paulo

Estoque de imóveis em São Paulo: o que muda em setembro

O estoque da capital chegou a 9,6 meses de vendas e a 12,9 meses na média e alta renda, mas só 10,4% das 117 mil unidades à venda têm três ou quatro dormitórios. Quem lança em setembro precisa escolher entre velocidade e preço antes da largada.

Marco Andolfato··8 min de leitura
  • O estoque da cidade de São Paulo chegou a 9,6 meses de vendas em junho, contra 6,8 meses um ano antes. Na média e alta renda são 12,9 meses (Secovi-SP, em análise do Banco Safra publicada em 14/08/2026).
  • Um lançamento novo leva em média 8,8 meses para escoar na capital, e só 10,4% das 117 mil unidades em estoque têm três ou quatro dormitórios (Brain Inteligência Estratégica, via Estadão, 22/08/2026).
  • Quem larga em setembro escolhe antes entre velocidade e preço. Adiar essa escolha empurra o desconto para a sexta semana, que é a forma mais cara de vender e a que estraga a tabela do resto do prédio.

Dois levantamentos sobre o mesmo mercado saíram com nove dias de diferença e chegaram a números distintos. O Secovi-SP fechou junho com o estoque da capital paulista equivalendo a 9,6 meses de vendas, ante 6,8 meses em junho de 2025 e 9,3 meses em maio, conforme a leitura do Banco Safra divulgada em 14 de agosto. Já a Brain Inteligência Estratégica, em levantamento publicado pelo Estadão em 22 de agosto, contou 117 mil apartamentos novos à venda na cidade e um tempo médio de escoamento de 8,8 meses por lançamento, contra cerca de 7,8 meses em 2025.

Quem tem lançamento marcado para setembro vai ouvir os dois números nas próximas semanas, provavelmente de alguém pedindo para segurar a largada. Eles medem coisas diferentes.

9,6 e 8,8 respondem a perguntas diferentes

O indicador do Secovi-SP divide a oferta total pelo ritmo recente de vendas: diz quanto tempo o mercado levaria para zerar tudo o que está à venda se nada mais fosse lançado. O da Brain acompanha o produto recém-lançado até a venda: diz quanto tempo demora escoar um empreendimento novo.

O primeiro carrega o passivo de todo mundo, inclusive o prédio que ficou pronto e não vendeu. O segundo descreve a corrida que o seu lançamento vai correr. Nenhum dos dois descreve o seu produto, e é por isso que nenhum dos dois serve de argumento para adiar. A conta por trás desses indicadores está detalhada no placar real do lançamento.

A média esconde dois mercados com sinais opostos

Os 9,6 meses são uma média de segmentos que andam em direções contrárias. A baixa renda fechou junho com 8,1 meses de estoque e respondeu por 81% dos lançamentos do mês, enquanto a média e alta renda subiu para 12,9 meses, contra 8,2 meses em junho de 2025. As vendas líquidas acumuladas em doze meses no segmento de média e alta renda caíram 21%, segundo os mesmos dados do Secovi-SP analisados pelo Safra.

A velocidade sobre oferta da cidade em doze meses ficou em 55,5%, queda de 8,3 pontos percentuais no ano. A régua com que o seu time calibrou a meta de largada do lançamento anterior envelheceu, e repeti-la com o mesmo plano de mídia e a mesma tabela é apostar num mercado que mudou no meio do caminho. Essa divisão já rendeu uma leitura anterior aqui no blog, e junho a reforçou.

No alto padrão, o estoque é escasso

Aqui está o dado que contraria a manchete. Das 117 mil unidades novas à venda na capital, apenas 10,4% têm três ou quatro dormitórios, segundo a Brain. Fábio Tadeu Araújo, CEO da consultoria, atribui isso à dificuldade de viabilizar o produto grande e diz ao Estadão que o segmento com problema real é o da classe média, o apartamento de 60 a 120 metros quadrados que precisa caber no bolso do comprador.

Some a composição do estoque: 13,4% das unidades já estão construídas, o equivalente a 15,6 mil apartamentos, e menos de 7,6% do total está à venda há mais de 48 meses. A maior parte dos 117 mil ainda está em obra, dentro do próprio prazo de venda.

A leitura de que existe uma enchente de oferta no alto padrão paulistano não se sustenta nesses números. O que existe é concentração geográfica. Pinheiros sozinha responde por mais de 3,4 mil unidades não vendidas, puxadas por apartamentos de R$ 8 milhões a R$ 12 milhões, faixa que segundo Araújo vende menos ano após ano desde 2021. Na Barra Funda, no mesmo levantamento, um apartamento novo leva 4,9 meses para ser vendido. A distância entre os dois bairros é maior que a distância entre 8,8 meses e 9,6 meses.

A régua de setembro é a curva, não a manchete

Rodger Campos, pesquisador do núcleo de habitação e real estate do Insper Cidades, descreveu ao Estadão a curva que os estudos de demanda projetam como desempenho saudável: 30% das unidades vendidas no lançamento, 60% até o sexto mês e 100% na entrega das chaves. É uma régua simples e desconfortável, porque ela permite julgar o lançamento na primeira semana, e não no décimo mês.

Com o tempo médio de escoamento em 8,8 meses e a meta de 60% no sexto mês, um lançamento que fizer 15% na largada precisa de desempenho excepcional nos cinco meses seguintes só para ficar na média. É informação disponível antes de queimar o orçamento de mídia.

A tese: quem não escolhe na largada desconta na sexta semana

Aqui vai a parte discutível. Num mercado de 6,8 meses de estoque, dava para lançar sem decidir nada: se a velocidade decepcionasse, o tempo resolvia. Num mercado de 12,9 meses, o tempo cobra juros, comissão, plantão e mídia de sustentação.

A decisão que precisa estar tomada antes da largada é qual das duas variáveis o empreendimento vai defender. Se for velocidade, o desconto entra desenhado no plano, como condição de fase e com contrapartida para quem compra primeiro. Se for preço, a tabela não se mexe e o plano precisa de argumento para sustentar meses de venda consultiva, com material que prove projeto, arquitetura e entorno.

O que custa caro é a terceira via, aquela em que nada foi decidido: larga com tabela cheia, mede resultado fraco na quarta semana e libera desconto na sexta, sem contrapartida e sem discurso. Esse desconto não recupera a curva. Quem já visitou o plantão volta a negociar em cima do novo piso, o corretor passa a vender a condição em vez do produto, e a tabela do restante do prédio nasce ancorada no menor número que o mercado viu. Álvaro Marco Coelho da Fonseca, co-CEO da Coelho da Fonseca, disse ao Estadão que a dificuldade de venda costuma estar na concepção do projeto antes de estar no mercado. Vale para a concepção comercial também.

O que dá para resolver nas semanas até a largada

  • Troque a média pelo seu recorte. O número que decide o seu lançamento é o estoque do seu bairro na sua tipologia, não o da cidade. Entre Pinheiros e Barra Funda há quase quatro meses de diferença no tempo de escoamento.
  • Recalibre a meta de largada. Se a meta de setembro foi feita com a velocidade de 2025, ela está 8,3 pontos percentuais otimista na média da cidade.
  • Escreva a política de desconto antes. Defina agora em que semana e sob qual condição ela entra, com contrapartida. Política escrita antes é negociação. Improvisada no meio, é leilão.
  • Confira o que o material prova. Se a escolha foi preço, o material precisa carregar a conversa por meses. Imagem genérica encurta a defesa da tabela, assunto tratado em como virar estoque remanescente.

Perguntas frequentes

O estoque de imóveis em São Paulo indica excesso de oferta?

Não de forma generalizada. Das 117 mil unidades novas à venda na capital, 13,4% estão construídas e menos de 7,6% estão no mercado há mais de 48 meses, segundo a Brain Inteligência Estratégica em levantamento publicado pelo Estadão em 22/08/2026. O resto ainda está em obra e dentro do prazo de venda. A pressão está concentrada por segmento e por bairro, com destaque para o médio padrão e para Pinheiros.

Quantos meses de estoque tem São Paulo hoje?

O estoque da cidade equivalia a 9,6 meses de vendas em junho de 2026, contra 6,8 meses em junho de 2025, segundo dados do Secovi-SP analisados pelo Banco Safra e publicados em 14/08/2026. Na baixa renda são 8,1 meses e na média e alta renda são 12,9 meses. Em paralelo, a Brain mede em 8,8 meses o tempo médio de escoamento de um lançamento novo.

Vale a pena adiar um lançamento por causa do estoque?

Adiar por causa do número agregado troca um problema conhecido por um desconhecido, já que o estoque do bairro e da tipologia é o que decide a absorção. O que muda o resultado é decidir antes se o empreendimento vai defender velocidade ou preço, com política de desconto escrita e meta recalibrada pela velocidade atual, 8,3 pontos percentuais menor em doze meses.

As fontes primárias desta análise estão em 117 mil imóveis novos à espera de compradores, publicada pelo Estadão em 22 de agosto de 2026, e em Vendas de imóveis caem em São Paulo e estoque sobe para 9,6 meses, publicada por O Especialista em 14 de agosto de 2026.

Toda semana a TBO manda para incorporadoras e construtoras a leitura dos dados que saíram, com o que eles mudam na campanha de lançamento. Assine a newsletter da TBO e receba a próxima edição.

Perguntas frequentes

Não de forma generalizada. Das 117 mil unidades novas à venda na capital, 13,4% estão construídas e menos de 7,6% estão no mercado há mais de 48 meses, segundo a Brain Inteligência Estratégica em levantamento publicado pelo Estadão em 22/08/2026. O resto ainda está em obra e dentro do prazo de venda. A pressão está concentrada por segmento e por bairro, com destaque para o médio padrão e para Pinheiros.

O estoque da cidade equivalia a 9,6 meses de vendas em junho de 2026, contra 6,8 meses em junho de 2025, segundo dados do Secovi-SP analisados pelo Banco Safra e publicados em 14/08/2026. Na baixa renda são 8,1 meses e na média e alta renda são 12,9 meses. Em paralelo, a Brain mede em 8,8 meses o tempo médio de escoamento de um lançamento novo.

Adiar por causa do número agregado troca um problema conhecido por um desconhecido, já que o estoque do bairro e da tipologia é o que decide a absorção. O que muda o resultado é decidir antes se o empreendimento vai defender velocidade ou preço, com política de desconto escrita e meta recalibrada pela velocidade atual, 8,3 pontos percentuais menor em doze meses.

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