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Como implementar BIM em um escritório de arquitetura

Implementar BIM não é trocar de software. Veja as seis dimensões da adoção, o passo a passo por projeto-piloto e os erros que travam a transição.

Marco Andolfato··3 min de leitura
Como implementar BIM em um escritório de arquitetura

Comprar a licença do Revit não implanta BIM, do mesmo jeito que comprar um piano não ensina a tocar. A maioria das transições fracassadas começa pelo software e ignora o que de fato muda: o processo de trabalho, os papéis da equipe e os padrões que tornam o modelo confiável. BIM é uma mudança de método antes de ser uma mudança de ferramenta. Este guia organiza a implementação em seis dimensões e um caminho por projeto-piloto.

BIM não é software, é método

BIM, Modelagem da Informação da Construção, é um processo de criar e gerir a informação de um empreendimento ao longo do ciclo de vida, tendo o modelo como fonte única de verdade. O software é apenas o instrumento. Escritórios que tratam BIM como um CAD 3D mais bonito colhem o custo da migração sem a maior parte do benefício: compatibilização, quantitativos confiáveis e colaboração entre disciplinas.

Os níveis de maturidade

A adoção evolui em níveis. No nível 0, trabalha-se em CAD 2D. No nível 1, há modelos 3D isolados, sem padronização. No nível 2, as disciplinas colaboram com modelos federados e processos definidos. No nível 3, a informação é integrada e conectada por um ambiente comum de dados. Saber em que nível o escritório está é o ponto de partida, e raramente ele é o que a direção imagina.

Modelo tridimensional de edifícios
BIM tem o modelo como fonte única de verdade, não como render bonito. Foto: Alphacolor / Unsplash

As seis dimensões da adoção

  • Tecnologia e software: Revit, ArchiCAD e ferramentas de coordenação, com hardware à altura.
  • Processos e fluxos: o trabalho redesenhado em torno do modelo, não do desenho.
  • Pessoas e capacitação: equipe treinada e papéis definidos, do coordenador BIM aos modeladores.
  • Padrões e protocolos: templates, biblioteca de famílias e o Plano de Execução BIM (BEP).
  • Colaboração e CDE: um ambiente comum de dados que federa os modelos das disciplinas.
  • Dados e entregáveis: quantitativos, compatibilização e informação extraída do modelo.

O elo mais fraco define o resultado: de nada adianta software de ponta com equipe não treinada, ou ótimos modeladores sem padrão de biblioteca.

Edifício de arquitetura contemporânea
A norma ABNT NBR ISO 19650 organiza a gestão da informação em BIM. Foto: Aalo Lens / Unsplash

Ferramenta de apoio

Em que nível de BIM o seu escritório está?

O Assessment de Maturidade BIM da TBO avalia as seis dimensões e devolve o seu nível (0 a 3), uma nota de 0 a 100 e o gargalo que mais trava a implementação. Abre direto no navegador.

Fazer o assessment de BIM

O passo a passo da implementação

  1. Diagnóstico: medir o nível atual nas seis dimensões e definir a meta.
  2. Projeto-piloto: escolher um projeto real de complexidade média para aprender fazendo, com metas claras.
  3. Padrões: criar templates, biblioteca de famílias e o BEP antes de escalar.
  4. Capacitação: treinar a equipe no fluxo, não só no software, e nomear um coordenador BIM.
  5. Colaboração: implantar o ambiente comum de dados e a rotina de federação e compatibilização.
  6. Escala: levar o aprendizado do piloto aos demais projetos, revisando os padrões a cada ciclo.

Pular o piloto e tentar migrar todos os projetos de uma vez é a receita mais comum de fracasso.

Edifícios residenciais modernos
O modelo bem feito alimenta o estudo de massa, a compatibilização e o render. Foto: Sebastian Schuster / Unsplash

O retorno do BIM

O ganho aparece em menos retrabalho, compatibilização que evita erros em obra, quantitativos confiáveis e prazos mais previsíveis. Para a incorporadora cliente, um modelo bem estruturado é também a base do estudo de massa e da visualização que vende o lançamento. O BIM, bem implantado, conecta projeto, obra e comunicação.

Erros comuns na implementação

  • Começar pelo software e ignorar processo, pessoas e padrões.
  • Migrar todos os projetos de uma vez, sem piloto.
  • Não criar templates e biblioteca de famílias antes de escalar.
  • Treinar a equipe no software, mas não no novo fluxo de trabalho.
  • Adotar BIM sem um ambiente comum de dados para colaborar.

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