Mercado imobiliário de Balneário Camboriú perdeu o topo
Mercado imobiliário de Balneário Camboriú perdeu para Itapema o posto de m² mais caro do Brasil em 2026. Por que isso é transbordamento, não declínio.

Por anos, o mercado imobiliário de Balneário Camboriú teve um troféu quase intransferível: o metro quadrado mais caro do Brasil. Em 2026, ele mudou de dono. Segundo o Índice FipeZAP de maio, a vizinha Itapema assumiu a liderança nacional do preço por metro quadrado, superando a cidade que inventou o skyline do litoral catarinense. A manchete óbvia é de queda. A leitura correta é o contrário.
Balneário Camboriú não perdeu força — perdeu o monopólio. O que aconteceu não foi o esvaziamento de uma cidade, e sim o transbordamento de um modelo: a fórmula BC de verticalização de altíssimo padrão saturou os próprios limites e vazou pela costa, criando um cluster que hoje é maior que qualquer uma das cidades que o compõem.
O que está acontecendo com o mercado imobiliário de Balneário Camboriú em 2026
Em 2026, Balneário Camboriú deixou de ser o topo isolado do ranking de preço para virar o centro de uma região de altíssimo padrão que inclui Itapema, Itajaí e Porto Belo. A cidade segue batendo recordes de VGV e de altura — como a Senna Tower —, mas a valorização mais acelerada e os novos ciclos de lançamento migraram para os vizinhos. A história deixou de ser uma cidade e passou a ser um litoral.
O metro quadrado mais caro do Brasil trocou de CEP, mas não de região. Balneário Camboriú não foi superada — ela se multiplicou.
Por que Itapema superou Balneário Camboriú?
Por uma questão de ciclo, não de fuga. "O que aconteceu foi uma mudança de ciclo entre dois mercados vizinhos", explica Luiz Feitosa, sócio da Edify, ao analisar o ranking. Balneário Camboriú atravessou um ciclo muito forte de valorização e chegou perto do teto de preço; Itapema, "ainda em curva ascendente, com novos empreendimentos", tinha mais espaço para subir. Quando o m² de uma cidade amadurece, o capital procura a próxima fronteira — e ela estava a poucos quilômetros ao sul.
O dado macro contextualiza a disputa. Pelo FipeZAP, o preço dos imóveis residenciais no Brasil acumulava alta de apenas 1,96% em 2026 até maio, abaixo do IPCA (3,24%) no período — um mercado nacional em desaceleração no qual o litoral catarinense é a exceção que ainda corre. É nesse pano de fundo morno que a troca de liderança entre BC e Itapema ganha peso: o crescimento não sumiu, ele se mudou de bairro.
O transbordamento em números
A dimensão do cluster é o que realmente impressiona. Segundo dados da plataforma DWV publicados pela Exame, Balneário Camboriú e as cidades vizinhas somaram R$ 13,47 bilhões em Valor Geral de Vendas em 2025, consolidando um território de apenas 490 km² como o quinto maior mercado imobiliário do Brasil, com mais de 9 mil imóveis comercializados. Itapema sozinha respondeu por cerca de R$ 4,3 bilhões; Itajaí cresceu 46% em lançamentos; e a própria Balneário Camboriú avançou 30% mesmo com escassez de terreno.
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Se a valorização migrou, foi em parte porque Balneário Camboriú bateu em tetos concretos — de terreno, de engenharia e sociais. No topo do simbolismo está a Senna Tower: 544 metros, 135 andares, candidata a edifício residencial mais alto do mundo. Com o metro quadrado a R$ 110 mil, a torre vendeu 60 apartamentos e movimentou R$ 2,48 bilhões em um ano, com coberturas triplex avaliadas em cerca de R$ 400 milhões cada. É o ápice de um ciclo — e, para muitos analistas, também o seu limite.
Não à toa a imprensa de negócios já pergunta se a era de ouro dos arranha-céus de Balneário Camboriú chegou ao limite. A escassez de terreno na orla empurra os preços e a altura para cima, mas há um teto físico e regulatório. E há um teto social: "Trabalhadores que ganham até R$ 15 mil não conseguem pagar aluguel", afirmou a prefeita da cidade à Folha de S.Paulo — o retrato de um mercado que expulsou a própria força de trabalho. Quando morar na cidade vira privilégio, a expansão para os vizinhos deixa de ser oportunidade e passa a ser necessidade.
| Indicador | Balneário Camboriú | Itapema / vizinhas |
|---|---|---|
| Preço por m² (FipeZAP, mai/2026) | 2ª posição (perdeu o topo) | Itapema em 1º nacional |
| Estágio do ciclo | Ciclo maduro, perto do teto | Curva ascendente |
| Restrição principal | Escassez de terreno na orla | Ainda há frente de expansão |
| Papel no cluster | Âncora e vitrine | Nova fronteira de valorização |
Os sinais do novo ciclo
- Preço migrou: Itapema assumiu o m² mais caro do país, com BC ainda no pódio.
- Volume regionalizou: R$ 13,47 bi somados fazem do cluster o 5º maior mercado do Brasil.
- Altura no limite: a Senna Tower marca o ápice — e a fronteira — da verticalização.
- Pressão social: a própria cidade admite que expulsou quem ganha até R$ 15 mil.
- Governo reagindo: BC reduziu o ITBI em 2026 para reter e atrair investidor patrimonial.
Vale a pena investir em Balneário Camboriú em 2026?
Sim, mas com um mapa novo. Quem investe olhando só para o pódio de preço vai comprar caro no fim de um ciclo; quem lê a região enxerga onde está a próxima curva de valorização. Balneário Camboriú segue sendo a âncora e a vitrine — o endereço que dá nome ao litoral inteiro —, enquanto Itapema, Itajaí e Porto Belo oferecem a fronteira de crescimento. O erro não é comprar em BC; é comprar sem entender que o produto agora disputa atenção com uma costa inteira de torres semelhantes.
E é aí que a diferenciação decide o negócio. Num litoral onde toda incorporadora promete vista para o mar e acabamento de altíssimo padrão, o trabalho de uma agência de marketing imobiliário em Balneário Camboriú deixa de ser detalhe e vira o fator de venda — da arquitetura de marca ao posicionamento do empreendimento. Quando o m² já é o mais caro do país, o que se vende não é área: é significado.
Perguntas frequentes sobre o mercado imobiliário de Balneário Camboriú
Como está a valorização imobiliária em Balneário Camboriú?
Segue forte, mas perdeu o topo nacional. Pelo FipeZAP de maio de 2026, Itapema assumiu o metro quadrado mais caro do Brasil, com Balneário Camboriú em seguida. A cidade vive um ciclo maduro de valorização, enquanto os vizinhos ainda estão em curva ascendente.
Itapema é melhor que Balneário Camboriú para investir?
Não é melhor — está em outro momento do ciclo. Itapema tem mais espaço de valorização por estar mais atrás na curva, mas Balneário Camboriú oferece liquidez, marca consolidada e a força de âncora regional. A decisão depende do horizonte e do perfil de risco do investidor.
Quais são os principais lançamentos de Balneário Camboriú?
O mais emblemático é a Senna Tower, com 544 metros e candidata a edifício residencial mais alto do mundo, ao lado de torres como Titanium, Epic e Eleganza. Na região, Itapema e Estaleirinho concentram a nova onda de lançamentos de alto padrão pé na areia.
Por que investir no litoral de Santa Catarina?
Porque o cluster de Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Porto Belo somou R$ 13,47 bilhões em vendas em 2025 e é o quinto maior mercado do país em apenas 490 km². É uma concentração de demanda de alta renda, turismo e capital raramente vista em tão pouco território.
Balneário Camboriú perdeu uma coroa e ganhou um reino. O metro quadrado mais caro do Brasil hoje fica em Itapema — mas foi BC que ensinou o litoral inteiro a construir para cima. A pergunta de 2026 não é qual cidade lidera, e sim quem sabe vender diferenciação quando a costa toda virou alto padrão.
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Imagem de capa: Nexo Jornal


