Innside 26/10: a Bolsa parou, o comprador não
Lula reeleito e circuit breaker; MCMV, MRV e Cyrela; The One na Oscar Freire; NKBA e a cozinha wellness; e mais.
As 5 do blog nesta semana
- Multifamily no Brasil: a marca passa a ter placar
- Quanto custa identidade visual de empreendimento
- Empreendimento assinado por arquiteto: de quem é a marca
- Escritório de arquitetura em Curitiba: a mostra é o teste
- Longevidade no alto padrão: a conta do pós-entrega
Quem lança empreendimento conhece o plantão de segunda-feira depois de um domingo de eleição. Mas o circuit breaker de 26 de outubro é mais raro do que parece: antes dele, a B3 só tinha parado o pregão em quatro crises, a asiática de 1997, a desvalorização do real em 1999, o subprime de 2008 e a pandemia de 2020.
Em todas elas o comprador de imóvel continuou existindo na terça-feira. O que mudou foi o juro que ele paga, e é disso que a edição de hoje trata.
Uma pergunta: quanto o Minha Casa, Minha Vida representou dos lançamentos residenciais do país no segundo trimestre de 2026, segundo o Portas?
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A resposta está no fim da edição.
Para hoje... a Bolsa parou e o comprador não: o que muda para quem lança depois da reeleição; a Cyrela sobe 150 metros na Oscar Freire com grife própria; a cozinha virou item de bem-estar; e mais.
Tempo de leitura: 11 minutos e 32 segundos
Quick takes
- 👀 PARA LER: "Não nos resta outra saída que não seja a própria industrialização", disse Jorge Cury, presidente do Secovi-SP, na abertura do XII Encontro de Construtores e Incorporadores, em 21 de outubro, segundo o Secovi-SP.
- 🔍 PARA DESCOBRIR: a Câmara eleita tem 121 deputados do PL contra 70 do PT, e os partidos de direita somam 49 das 81 cadeiras do Senado, os três quintos que aprovam uma PEC sozinhos, segundo o Portas.
- 📈 PARA SE IMPRESSIONAR: a Thozen entrega em Porto Belo (SC) o Jardins de Versalhes, 192 apartamentos com 100% das unidades vendidas e valorização de 94,6% desde o lançamento, conta a Gazeta da Semana.
- 🎯 PARA VER: o New Yorker, da GT Building, no Centro de Curitiba, terá 39 áreas comuns entre o segundo e o 30º pavimento, studios de 21 m² e serviços de hotel da Suyts by HCC, segundo a Banda B.
A Bolsa parou. E agora? Continuem a vender
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE. Na abertura de 26 de outubro, o Ibovespa caiu mais de 10% nos primeiros minutos, a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia e o dólar, que tinha fechado a sexta-feira abaixo de R$ 5, disparou, segundo o G1.

A incorporadora caiu mais que a Bolsa
Por volta das 11h10, a Cyrela liderava as perdas entre as construtoras, seguida por MRV, Cury (27,4%), Direcional (22,5%) e Tenda (21,6%), segundo o Guia do Investidor. Os bancos perderam R$ 249 bilhões em valor de mercado na primeira hora, segundo levantamento do Broadcast publicado pelo Estadão. Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado e disse que pedirá a anulação do pleito.
O pânico é da tela. O comprador que estava no stand no sábado continua existindo na segunda-feira, e o que muda para ele é o juro: os contratos futuros mais longos subiram com força, e o Boletim Focus divulgado em 26 de outubro, colhido antes da urna, via a Selic em 11,75% no fim de 2027, segundo o Banco Central.
-43,4% | a Cyrela às 11h10 de 26 de outubro, a maior queda entre as construtoras
-40,5% | a MRV, mesmo com o programa que a protege
R$ 5,60 | a máxima do dólar no dia, contra R$ 4,99 na sexta-feira
3 mi | unidades que o Minha Casa, Minha Vida pode contratar no mandato que termina
O Minha Casa, Minha Vida tem mercado, e tem governo
O plano de governo registrado no TSE promete "manutenção e ampliação do Minha Casa, Minha Vida, para todas as faixas de renda, com prioridade às famílias de menor renda", mais o reforço do Compra Assistida para imóveis prontos, segundo o Portas. O programa já responde por mais da metade dos lançamentos residenciais do país, e a mesma reportagem lê MRV e Direcional como as mais protegidas pela continuidade, e o médio e alto padrão como os mais expostos ao juro.
"O mercado imobiliário dispõe atualmente de recursos importantes, como o FGTS e o Fundo do Pré-Sal, e isso tem sido realmente essencial", disse Ana Maria Castelo, economista da FGV, ao Portas. Na ponta, a MRV vendeu 40% de um prédio em Cuiabá no dia da abertura das vendas, em 15 de outubro, segundo o Folhamax, e no Paraná os compactos já são quase 70% dos lançamentos verticais, com a Lyx pondo praia artificial e beach tennis em condomínio do programa com unidades de 36 a 42 m², segundo o Bem Paraná.
O alto padrão segura, e não para de vender
Três dias antes do circuit breaker, a Cyrela pôs em pré-lançamento a torre mais alta da Oscar Freire, com grife própria (a matéria seguinte conta). O luxo de São Paulo já vinha devagar: no primeiro semestre, as unidades vendidas caíram 39% e os lançamentos, 53%, mas o preço médio do alto padrão subiu 47% em um ano, segundo a Brain, via Estadão. Quem compra nesse padrão compra devagar e compara, mas compra.
==O comprador não sumiu. O que sumiu foi a certeza do juro.== Para quem lança agora, em qualquer cidade do país, são três movimentos: reposicionar a marca, porque o comprador assustado compra de quem explica; mostrar o produto inteiro antes da obra, com a conta da parcela aberta, porque a parcela é o que o juro muda; e tratar o Minha Casa, Minha Vida como mercado, não como plano B.
PS: a reportagem do Portas lista o que o plano de governo promete à moradia e o tamanho das bancadas no Congresso.
=== TOGETHER WITH TBO DIGITAL 3D ===
O comprador assustado compra o que consegue ver
Quando o juro sobe, o comprador adia o que não entende e fecha o que enxerga. A frente de Digital 3D da TBO produz a imagem de lançamento, a fachada, o living e a vista antes de a obra existir, para o stand vender com o produto inteiro na parede.

O empreendimento visualizado antes da obra começar.
Imagem de lançamento, fachada, interiores e vista produzidos pela TBO Digital 3D, para o stand vender com o produto inteiro.
A Cyrela sobe 150 metros na Oscar Freire
A Cyrela pôs em pré-lançamento o The One Oscar Freire by Cyrela, torre puramente residencial no início da rua, na altura do número 2150, em São Paulo, a mais alta já erguida na via. São cerca de 90 apartamentos, dois por andar, com plantas de 284 e 365 metros quadrados, segundo a Exame.

O terreno tem quase 5 mil metros quadrados e foi formado a partir de dezenas de casas e pequenos comércios antigos, numa negociação de três a quatro anos. "Quando passa de 80 metros, precisa ter duas escadas e fica muito mais caro. A Cyrela vem apostando em alguns empreendimentos em dar para os paulistanos a vista dessa cidade", disse Efraim Horn, CEO da Cyrela, ao Estadão.
O prédio não leva Armani/Casa, Pininfarina nem Dolce & Gabbana. Leva uma marca própria. "Boa parte do nosso mercado tangencia o dia a dia, a trivialidade. Mas aquelas que carregam uma história, que são únicas e que você não vende por nada, precisam ser sentidas, explicadas e compartilhadas", disse Horn ao Estadão. No trecho das grifes, o metro quadrado custa mais que o dobro do que o The One vai pedir; a entrega está prevista para o primeiro semestre de 2031, segundo a Forbes Brasil.
R$ 800 mi | VGV estimado do The One
R$ 7,1 mi | o apartamento menor, a R$ 25 mil por metro quadrado
R$ 9,1 mi | o apartamento maior
The big picture. O que a torre vende é a vista, e a vista só existe depois da obra. A grife própria é decisão de produto, não de folheto: o nome veio antes da campanha, e isso vale para quem lança em Curitiba ou em Balneário Camboriú. No dia em que a ação da empresa liderou as perdas entre as construtoras, o produto continuou na rua.
Ainda sobre a Cyrela: ao lado do The One, o Cyrela Corporate by Pininfarina recebe a sede da empresa a partir de janeiro de 2027, com o Nubank em 17 andares, segundo a Exame.
A cozinha virou item de bem-estar
A cozinha integrada à sala já é padrão de planta no lançamento brasileiro. O que vem a seguir é o que acontece dentro dela. A National Kitchen & Bath Association (NKBA), entidade dos Estados Unidos que reúne designers, revendedores, reformadores, instaladores e fabricantes, publicou o Relatório de Tendências em Cozinhas de 2027, de 142 páginas, feito com designers, empreiteiros e arquitetos que trabalharam em cozinhas no último ano, segundo a Forbes Brasil, em texto de 25 de outubro.
O relatório lista dez tendências. A Forbes destacou cinco ligadas a bem-estar.
Luz, serviço e água
A primeira é a reorganização dos espaços: lavanderia e área de serviço integradas à cozinha, com divisórias e portas de correr.
A segunda é o design emocional. "A iluminação em camadas favorece a ambientação, o desempenho nas tarefas e o conforto visual", diz o relatório, e "a iluminação integrada amplia a funcionalidade de armários, gavetas e despensas".
A terceira é a integração com a casa conectada: filtragem de água, torneiras sem toque e monitoramento de vazamento e de qualidade da água. O relatório recomenda "uma vida mais saudável por meio de melhorias na iluminação, na qualidade do ar e da água, na acústica e no desempenho energético".
Completam a lista a simplicidade intencional e o planejamento para a resiliência, com superfícies resistentes à água.
Para quem lança no Brasil, nada disso mora no memorial descritivo. O comprador vê a luz em camadas acesa e a lavanderia atrás da porta de correr no decorado, e é ali que a cozinha vira argumento.
O próximo passo: o relatório é de 2027, e o lançamento que abre stand em 2027 vai ser comparado com ele. Quem especifica a luz e a lavanderia no projeto chega ao decorado com a resposta pronta.
=== TOGETHER WITH TBO ===
Se o comprador assustado compra de quem explica, a marca do empreendimento precisa dizer o que ele promete antes de a campanha pedir a visita. A Plataforma de Marca define nome, promessa e território do lançamento antes do anúncio, em Curitiba, em Cuiabá ou na Oscar Freire. É gratuito, e o link chega no seu e-mail.
O que a sua marca promete ao comprador que hesita?
Nome, promessa e território definidos antes da campanha, para reposicionar o lançamento sem esperar a Selic.
Giro por outros highlights
- A Dreamis prevê R$ 75 milhões no Glória, residencial de alto padrão no Alto da Glória, em Curitiba, com 90 unidades em duas torres; lançamento em março de 2028 e entrega em 2031, segundo a Gazeta do Povo.
- A Flex vai investir R$ 80 milhões em cerca de 400 apartamentos em Canoas (RS), com VGV de cerca de R$ 120 milhões e lançamento no fim de 2027, segundo a revista Amanhã.
- A OR chega ao Recife com o Artis, no Pina, e mira pelo menos R$ 300 milhões de VGV por ano na cidade, com projeto da Arquitetura Nacional, de Porto Alegre, segundo o Movimento Econômico.
- O aluguel anunciado está 76% acima do que o interessado diz poder pagar: mediana de R$ 3 mil nos anúncios contra R$ 1,7 mil declarados, pela DataLais, da Lastro; em Balneário Camboriú a diferença chega a 131%, via Paraíba Business.
- A Mitre, dona da marca Daslu desde 2022, vende o Daslu Residences nos Jardins, em São Paulo, com unidades de 114 a 350 m² e conclusão prevista para 2028, segundo o Portas.
Gráfico do dia

O Índice FipeZAP de venda residencial subiu 0,58% em setembro, com alta em 46 das 56 cidades acompanhadas. No Sul, Florianópolis lidera a variação de 12 meses, como mostra o gráfico.
Curitiba voltou a subir em setembro depois de cair em agosto. Fora das capitais, São José dos Pinhais teve a maior alta da região em 12 meses, com metro quadrado médio de R$ 6.433, pouco mais da metade do da capital. Balneário Camboriú tem o metro quadrado mais caro entre as cidades do Sul no informe, R$ 15.369.
R$ 11.766 | metro quadrado médio em Curitiba, o quarto entre as capitais
+0,29% | Curitiba em setembro, depois de cair em agosto
+11,05% | São José dos Pinhais em 12 meses
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Resposta da enquete: 58% dos lançamentos residenciais do país no segundo trimestre de 2026 foram do Minha Casa, Minha Vida, segundo o Portas.
Até sexta-feira.
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