Poupança seca + Plaenge Joinville + data centers
Abecip; Plaenge em Joinville; FipeZAP de setembro; data centers de R$ 300 bi; e o crédito que cresce com a poupança secando
As 5 do blog nesta semana
- Selic e financiamento imobiliário: a queda que não chegou
- Novo funding imobiliário 2027: lance como se não viesse
- Mercado imobiliário de Joinville: preço sem a orla
- Risco climático imobiliário: o CEP agora tem nota
- Como aparecer no ChatGPT: o playbook da incorporadora
Quem lança empreendimento conhece a Caixa e o financiamento que sai do dinheiro da poupança.
Mas a caderneta nasceu no Império, por decreto de Dom Pedro II, com juros de 6% ao ano garantidos pelo Tesouro Imperial. Chamava-se caderneta porque era uma caderneta de papel mesmo, onde cada depósito era anotado à mão. Mulher casada só pôde abrir a sua em 1915, com autorização do marido, e só ganhou autonomia plena em 1934.
Uma pergunta: em que ano o decreto de Dom Pedro II criou a caderneta de poupança?
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A resposta está no fim da edição.
Para hoje... a poupança perde R$ 9,5 bilhões em um mês e financia R$ 17 bilhões no mesmo mês; a Plaenge põe R$ 160 milhões em Joinville; o data center virou um imóvel de R$ 300 bilhões; e mais.
Tempo de leitura: 10 minutos e 37 segundos
Quick takes
- 👀 PARA LER: o segundo turno é em 25 de outubro, e o retrospecto do Portas mostra o que os anos de eleição fizeram com o preço do imóvel: alta de 6,70% em 2014, queda de 0,21% em 2018 e alta de 6,16% em 2022, pelo FipeZAP. Quem decidiu cada ano foi a Selic, não a urna.
- 🔍 PARA DESCOBRIR: o Boletim Focus com data de 2 de outubro subiu a inflação esperada para 2026 de 4,99% para 5,01% e mantém a Selic em 13,50% no fim deste ano e em 12,00% no fim de 2027, segundo o Banco Central.
- 📈 PARA SE IMPRESSIONAR: Itajaí vendeu R$ 3,95 bilhões em lançamentos nos últimos 12 meses, 2.277 unidades, à frente de Itapema (R$ 3,61 bilhões) e de Balneário Camboriú (R$ 2,71 bilhões), segundo a plataforma DWV, via ND Mais.
- 🎯 PARA VER: o projeto do Atuba Mall, em Curitiba: 72 mil metros quadrados construídos num terreno de quase 15 mil, com moradia para quem passou dos 60, centro médico, supermercado, escritórios e cerca de mil vagas, por cerca de R$ 320 milhões. Veja as imagens na Tribuna do Paraná.
A poupança perde dinheiro todo mês. O financiamento não ficou sabendo
Em 30 de setembro a Abecip publicou o balanço de agosto. Os dois números principais não deveriam caber na mesma página: a poupança perdeu R$ 9,5 bilhões em saques no mês, e o financiamento imobiliário que sai dela somou R$ 16,97 bilhões, o terceiro melhor agosto em 25 anos.

A fonte seca, e o volume cresce
Em agosto, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 9,5 bilhões, mais que o dobro da saída de agosto de 2025, quando faltaram R$ 4,7 bilhões. De janeiro a agosto, o buraco chegou a R$ 47,0 bilhões. O saldo fechou o mês em R$ 757,2 bilhões, 0,62% abaixo de julho, segundo a Folhapress.
Do outro lado do balcão, o dinheiro continua saindo para comprar imóvel. Os R$ 16,97 bilhões de agosto ficaram 19% abaixo de julho, mas 46,6% acima de agosto do ano passado. De janeiro a agosto, o SBPE emprestou R$ 132,5 bilhões, 37,5% a mais que no mesmo período de 2025. Em 12 meses, R$ 192,4 bilhões.
R$ 16,97 bi | financiado pela poupança em agosto, o 3º melhor agosto em 25 anos
-R$ 9,5 bi | saques acima dos depósitos na poupança no mesmo mês
R$ 132,5 bi | financiado de janeiro a agosto, alta de 37,5%
O comprador não está esperando o juro cair
Só para você ter ideia: em quantidade de imóveis, agosto foi a sexta maior quantidade para um mês de agosto da série da Abecip, e o acumulado do ano soma 384,6 mil imóveis financiados com dinheiro da poupança, 35,9% a mais que em 2025. O comprador que decidiu comprar está assinando agora, com a Selic em 13,75%, em vez de esperar a queda.
E a queda está longe. O Focus de 2 de outubro vê a Selic em 13,50% no fim de 2026 e em 12,00% só no fim de 2027. Quem espera o juro de um dígito espera mais de um ano, e o imóvel que ele queria já terá sido vendido para quem fez a conta hoje.
O dinheiro fora da poupança sumiu
O crédito com recursos livres dos bancos, aquele que não depende da caderneta, caiu para R$ 1,31 bilhão em agosto, 63,3% abaixo de agosto de 2025. No ano, R$ 11,15 bilhões, queda de 33,9%. Na prática, o financiamento de 2026 é quase todo poupança, e a poupança está encolhendo. O desenho do funding que vem em 2027 é outro assunto, e o blog já tratou dele.
Para quem lança, a leitura é curta. O comprador de médio padrão compara a parcela antes de comparar a planta. ==O lançamento que mostra a conta junto com a vista vende antes do que só mostra a vista.==
PS: a reportagem da Folhapress junta o crédito e os saques da poupança no mesmo texto.
=== TOGETHER WITH TBO TWIN ===
O comprador faz a conta antes de escolher o andar
Com a Selic em 13,75%, a primeira pergunta no stand é quanto custa, e a segunda é qual unidade cabe nesse valor. O TBO Twin responde às duas na mesma tela: o Filtro de unidades é o espelho de vendas integrado, com filtros por valor, tipologia, andar e status, atualizável pelo time comercial em tempo real.
Escolhida a unidade, o comprador vê a Incidência solar dela, simulada por hora e estação, antes de a obra existir.

O lançamento deixa de ser apresentado. Ele passa a ser vivido.
Decorado imersivo, maquete interativa e espelho de vendas em um único software, em real-time 3D e sem internet no stand. Planos a partir de R$ 2.497/mês por empreendimento.
A Plaenge põe R$ 160 milhões numa cidade sem orla
A Plaenge lança em outubro o Hausgarten, quinto projeto de alto padrão da marca em Joinville: VGV de R$ 160 milhões, 70 apartamentos de 154 e 197 metros quadrados, com unidades Garden e Penthouse, na Rua Jaraguá, bairro América, segundo o SC Real.
O nome junta Haus (casa) e Garten (jardim), referência à herança alemã da cidade. A arquitetura é da Bohrer Arquitetos e o paisagismo, da Tellini Vontobel. Maurício Dallagrana, superintendente da Plaenge em Santa Catarina, aposta no contato com a natureza como argumento de bem-estar.
A cidade tem demanda para isso. No primeiro semestre de 2026, Joinville lançou 16 empreendimentos, com 1.010 unidades e R$ 708 milhões em valor lançado, e vendeu 1.147 apartamentos novos, R$ 767 milhões, segundo a pesquisa da Brain para o Sinduscon Joinville, publicada pela CBIC em 5 de outubro. Vendeu-se mais do que se lançou, e o estoque em junho era de 2.459 unidades.
O preço acompanhou. O metro quadrado médio do apartamento novo chegou a R$ 11.267 em junho, alta de 7% em 12 meses e de 29% em três anos. O quatro dormitórios custa R$ 16.533 por metro quadrado, e o studio, que subiu 18% no período, R$ 12.383.
The big picture. Joinville é a maior cidade de Santa Catarina e não tem orla. O que sustenta R$ 16 mil por metro quadrado no quatro dormitórios é produto, bairro e marca, não vista para o mar. Quem lança ali não tem o argumento da praia para esconder a planta, e é exatamente isso que o comprador vai exigir ver no stand.
Ainda sobre Joinville: para Ana Rita Vieira, diretora da Indústria Imobiliária do Sinduscon Joinville, venda acima do lançamento no semestre é sinal de absorção saudável, diz a pesquisa.
O data center virou imóvel, e custa R$ 300 bilhões
Gestoras brasileiras estão montando fundos para construir, comprar e alugar prédios para computação em nuvem e inteligência artificial. A Arch Capital tem o FIP 247 Data Centers, com 156 MW em desenvolvimento; a Alianza tem a Alianza Digital, com 6 MW já funcionando; e a AZ Quest captou R$ 482 milhões de mais de 7 mil cotistas para o FII Panorama Data Centers, segundo a Exame.
O tamanho da conta vem da ABDC, a associação do setor: o segmento voltado aos grandes provedores de nuvem pode chegar a 5,1 GW em dez anos, e isso exigiria cerca de US$ 55 bilhões, perto de R$ 300 bilhões, só para erguer os prédios, sem contar servidores e chips.
O espaço está apertado. A capacidade em funcionamento em São Paulo foi de 623 MW para 661 MW no primeiro semestre, com vacância de 4,1%, e há mais de 2 GW de projetos planejados. Um data center de 10 MW ocupa de 8 mil a 10 mil metros quadrados, e os polos se consolidam em Campinas, Barueri, Santana de Parnaíba e Jundiaí.
Para quem incorpora, a consequência é no preço do terreno. O lote industrial com energia e fibra perto de Campinas e Barueri passou a disputar comprador com o galpão logístico e com o loteamento, e o valor dele deixou de ser o valor do uso residencial.
O próximo passo: a ABDC projeta os 5,1 GW em dez anos; Fábio Carvalho, sócio da Alianza, diz que se constrói numa capacidade e depois vêm duas ou três fases de expansão que triplicam o projeto.
=== TOGETHER WITH TBO ===
Se a poupança seca, a obra precisa saber de onde vem o dinheiro antes de o stand abrir. O Simulador de Funding faz essa conta para o seu empreendimento: como a obra se paga. É gratuito, e o link chega no seu e-mail.
De onde vem o dinheiro da sua obra?
A conta do funding feita antes do lançamento, num mês em que a poupança perdeu R$ 9,5 bilhões.
Giro por outros highlights
- A Eztec lançou em 29 de setembro a Torre Breeze, segunda fase do Azzure Resort Life, em Osasco: R$ 212 milhões de VGV, 211 apartamentos de 63 a 120 metros quadrados e meta de R$ 2,5 a 3,5 bilhões em lançamentos no ano.
- Santander, Caixa e Bradesco colocaram mais de 1.200 imóveis em leilão em outubro, com descontos de até 90% sobre o lance inicial, segundo o ICL Notícias.
- O Encontro CBIC de Construtores e Incorporadores acontece em 27 e 28 de outubro, em Goiânia, com financiamento, cenário econômico e os 60 anos do FGTS na pauta.
- Vila Velha (ES) acumula alta de 14,76% em 12 meses, a maior entre as 56 cidades do FipeZAP, segundo a Forbes.
- A Abecip registrou R$ 11,15 bilhões em financiamento com recursos livres dos bancos de janeiro a agosto, queda de 33,9% em um ano.
Gráfico do dia

O gráfico mostra o preço médio anunciado por metro quadrado em setembro nas dez cidades mais caras do país, segundo o Índice FipeZAP divulgado em 1º de outubro. Vitória segue no topo, subiu 1,63% no mês e acumula 12,04% no ano, três vezes a média das 56 cidades, que é de 4,04%.
O que chama atenção: Balneário Camboriú voltou ao segundo lugar e passou Itapema por R$ 29. Santa Catarina tem quatro das dez cidades mais caras. Barueri está acima da capital paulista, e Curitiba é a oitava.
Para quem lança, o ranking diz onde o preço ainda carrega o produto e onde não carrega mais: em Vitória o índice puxa, em Curitiba é o lançamento que precisa se explicar.
R$ 15.905 | Vitória, a cidade mais cara do país
R$ 15.369 | Balneário Camboriú, de volta ao segundo lugar
R$ 11.766 | Curitiba, a oitava
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Resposta da enquete: 1861. O Decreto 2.723, de Dom Pedro II, criou a Caixa Econômica e Monte de Socorro e a caderneta de poupança, com juros de 6% ao ano garantidos pelo Tesouro Imperial, segundo o InfoMoney.
Até sexta-feira.
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