Morar sozinho + Eztec 3T26 + clubes de hotel
Brain; Abrainc; Plaenge; Eztec; Proper; Búzios. O lar de um morador só cresce e o tamanho perdeu peso na hora de comprar
As 5 do blog nesta semana
- Personalização de apartamento na planta: lição da montadora
- Tipologias de apartamentos compactos que mais vendem
- Mercado imobiliário de Curitiba: a virada dos compactos
- Valor de revenda de apartamento: a prova da marca
- Pós-venda imobiliário: o relógio que a hotelaria tem
Quem lança empreendimento conhece a primeira pergunta do stand: quantos quartos?
Mas quem mora sozinho no Brasil não é quem a gente imagina. Pela pesquisa da Brain com a Abrainc, o jovem do studio é o menor grupo. O maior tem de 30 a 59 anos, com 47%, e o segundo já passou dos 60, com 41%.
Esse comprador também quer mexer no apartamento antes de receber a chave. Em Curitiba, a Plaenge mede isso desde 2022. Uma pergunta: quantos clientes da Plaenge em Curitiba mudaram o apartamento durante a obra?
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A resposta está no fim da edição.
Para hoje... um em cada cinco lares brasileiros tem um morador só, e o tamanho perdeu peso na compra; a Eztec lança 53% mais e vende o mesmo; o hotel de luxo vende clube para quem mora em volta; e mais.
Tempo de leitura: 10 minutos e 45 segundos
Quick takes
- 👀 PARA LER: a coluna Vida Imobiliária da Exame sobre um país que aprendeu a morar sozinho. O argumento central: um jovem de 28 anos e uma mulher de 72 podem procurar o mesmo apartamento de um quarto e querer produtos completamente diferentes.
- 🔍 PARA DESCOBRIR: o IPCA de setembro subiu 0,82% e chegou a 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta. Habitação subiu 2,31% e a energia elétrica, 7,98%, com o fim do bônus de Itaipu, segundo o IBGE.
- 📈 PARA SE IMPRESSIONAR: no Incorpora Abrainc de 7 de outubro, Luiz França disse que cada ponto a menos no juro do financiamento abre a casa própria para 1,3 milhão de famílias. No mesmo evento, Laura Ribeiro Henriques, da Direcional, estimou que a burocracia custa cerca de R$ 5 bilhões por ano ao setor, segundo a Contramarco.
- 🎯 PARA VER: os quartos da CASACOR Ribeirão Preto: um pensado para a maturidade, um infantil que acompanha o crescimento da criança e uma casa-ateliê em que morar e criar dividem o mesmo espaço. Veja na Viva Decora.
O prédio foi feito para a família. O comprador mora sozinho
O Brasil tem 13,7 milhões de pessoas vivendo sozinhas. Os lares de um morador eram 12,2% do total em 2012 e chegaram a 19,7% em 2025, pela Pnad Contínua, segundo Luiz França, presidente da Abrainc. Os dados foram apresentados no Incorpora Abrainc, em 7 de outubro, com uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, e publicados pela Exame.

O tamanho saiu do centro da conta
Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, resume a mudança numa frase: "O tripé era localização, preço e tamanho. E hoje o tamanho é muito menos importante".
Há cerca de dez anos, pela estimativa dele, a decisão pesava em média 45% localização, 30% preço e 25% tamanho. Hoje, 55% localização, 35% preço e 10% tamanho.
19,7% | dos lares brasileiros têm um morador só, em 2025
10% | é o peso do tamanho na decisão de compra, segundo a Brain
77% | de quem mora sozinho vê a casa atual como temporária
O produto lançado já foi atrás disso. Pelo Secovi-SP, o apartamento de um dormitório lançado em São Paulo encolheu de 40,5 metros quadrados em 2013 para 27,2 em 2024, e o de dois, de 57,2 para 38,6. O de três foi na direção contrária e cresceu de 87,7 para 101,2.
A mesma metragem, três vidas diferentes
Quem mora sozinho não é um grupo só. O jovem quer localização e pode aceitar menos espaço. O separado pode precisar de um quarto a mais para receber os filhos. O aposentado quer elevador, segurança e serviço perto. Na prática, a planta é parecida e a vida dentro dela não é.
Os números da pesquisa mostram o descompasso. 29% de quem mora sozinho vive em imóvel de três ou mais quartos, e só 11% paga mais de R$ 100 mil de entrada, contra 29% dos casais com filhos. Para França, "há relação, mas a tendência tem um forte componente demográfico e mudança no comportamento das pessoas".
O quarto vira escritório antes da entrega
Em Curitiba, a Plaenge criou em 2022 um programa para o cliente personalizar o apartamento durante a obra, conta o HojePR. Dá para trocar piso, pedra, metais e louças, mudar pontos elétricos e hidráulicos, a infraestrutura do ar-condicionado e o layout, e incluir piso aquecido, nichos e trilho de cortina. A maioria dos clientes faz pelo menos uma mudança.
Igor Vinicius Habovsky, empresário de 33 anos, trabalha em casa e transformou um quarto em escritório. "A Plaenge já adaptou o apartamento antes da entrega. Assim, vamos evitar ter que refazer tudo futuramente", diz.
Tem limite. Arquitetos e engenheiros conferem cada pedido, e quem compra cedo tem mais opções. "O cronograma é determinante", resume Georgia Ferreira, gerente de relacionamento com o cliente da Plaenge em Curitiba.
Para quem lança, a leitura é direta. Se o tamanho pesa pouco na decisão, o que vende é a planta servir à vida de quem vai morar. ==A personalização deixa de ser cortesia do pós-venda e vira argumento de venda, e precisa aparecer no stand antes da obra.==
PS: a reportagem da Exame traz a pesquisa inteira, geração por geração.
=== TOGETHER WITH TBO TWIN ===
O comprador escolhe a unidade e vê o que ela vira
O comprador que decide pela localização quer saber, no stand, qual unidade cabe no orçamento e o que ela pode virar. No TBO Twin, o Filtro de unidades é o espelho de vendas com filtros por valor, tipologia, andar e status, atualizado pelo time comercial em tempo real.
No plano Plus, a Interação com objetos troca revestimentos, acende luzes e liga eletrodomésticos, antes de a obra existir.

O lançamento deixa de ser apresentado. Ele passa a ser vivido.
Decorado imersivo, maquete interativa e espelho de vendas em um único software, em real-time 3D e sem internet no stand. Planos a partir de R$ 2.497/mês por empreendimento.
A Eztec lança 53% mais e vende o mesmo
A Eztec divulgou em 9 de outubro a prévia do terceiro trimestre. Lançou R$ 726,5 milhões em VGV, alta de 52,9% sobre o mesmo trimestre de 2025, com 2.062 unidades, segundo a BM&C News.
As vendas não acompanharam. Foram R$ 522,7 milhões líquidos, 0,6% abaixo de um ano antes e 9,5% abaixo do segundo trimestre. A velocidade de vendas sobre a oferta caiu para 12,9%, contra 14,9% no trimestre anterior e 16,4% um ano antes.
O trimestre teve o Condomínio Atlântica, na Cidade Parque Guarapiranga, com 1.632 unidades no econômico e 50% da Eztec, e as segundas fases do Azzure Resort Life e do Reserva São Caetano GranResort, em 29 e 30 de setembro.
No ano, os números são recorde para o período: R$ 2,424 bilhões lançados, alta de 53,3%, e R$ 1,798 bilhão vendido, alta de 29,2%. O estoque fechou setembro em R$ 3,518 bilhões, 31,5% maior em 12 meses, e R$ 1,090 bilhão dele já está pronto.
The big picture. Lançar mais não garante vender mais quando o juro segue alto e o comprador compara. Com mais oferta na rua, cada lançamento disputa a mesma visita, e a diferença passa a ser o que o produto mostra de si no primeiro contato. Estoque pronto é dinheiro parado, e ele cresce quando o lançamento não se explica sozinho.
Ainda sobre a Eztec: a companhia reafirmou a meta de R$ 2,5 a 3,5 bilhões em lançamentos em 2026, e o resultado completo do trimestre sai em 5 de novembro, segundo a BM&C News.
O hotel de luxo agora vende clube para quem mora perto
A hotelaria de luxo achou uma receita que não depende do turista. A Proper Hospitality abriu clubes de membros nos próprios hotéis, com academia, áreas de recuperação, terapia de luz vermelha, sauna infravermelha e imersão fria. No Santa Monica Proper, em Los Angeles, 80% dos membros moram nas proximidades, segundo o Founders.
A conta é de receita recorrente. O clube reduz a dependência da estadia curta e da temporada. A rede expande o modelo para Austin, Lake Tahoe e Dallas, onde a torre Dallas Proper, prevista para 2029, terá um wellness center de quase 1.500 metros quadrados.
No Brasil, o movimento já tem preço. Em Búzios, a Resid Club & Hotels abriu no fim de setembro um clube privado na Ilha Rasa, limitado a 500 associados. O título custa R$ 180 mil ou R$ 270 mil, e o mais caro é patrimônio: passa para os filhos e pode ser revendido, segundo a Manchete Online. O projeto soma R$ 200 milhões em clube, hotel de 40 unidades e 10 vilas, das quais 7 já foram vendidas.
Para quem incorpora, a lição está no endereço. Se a maioria dos sócios de um clube de hotel mora em volta, a área de lazer do condomínio pode atender o bairro e pagar a própria conta, em vez de pesar no condomínio de quem mora no prédio. E o comprador que mora sozinho usa mais o que está fora do apartamento.
O próximo passo: a Resid prevê as primeiras vilas entregues no fim de 2027 e o hotel aberto até 2031.
=== TOGETHER WITH TBO ===
Quando o tamanho pesa pouco na decisão, a pergunta é o que o médio padrão está entregando no lugar dos metros quadrados. O Radar Médio Padrão 2026 mostra isso para quem vai lançar. É gratuito, e o link chega no seu e-mail.
O que o médio padrão está entregando?
O produto que compete quando o comprador escolhe pela localização, e não pela metragem.
Giro por outros highlights
- A poupança do SBPE perdeu R$ 6,19 bilhões em setembro, o quarto mês seguido no vermelho, e acumula R$ 53,22 bilhões negativos no ano, 11,4% menos que em 2025, segundo o Portas.
- O Focus de 9 de outubro baixou a Selic esperada para o fim de 2026 para 13,25%, contra 13,75% quatro semanas antes, e subiu o IPCA do ano para 5,22%, na quarta alta seguida.
- Balneário Camboriú apresentou o Morar BC, com 8 mil moradias entre 2027 e 2032 e mais de R$ 100 milhões em incentivos, como potencial construtivo ampliado e redução de outorga onerosa, segundo o ND Mais.
- A Feira de Imóveis da Ademi-PR volta depois de cinco anos, com campanha a partir de 20 de outubro e evento presencial em 7 e 8 de novembro no Shopping Crystal, em Curitiba.
- O Pátria negocia comprar da Cyrela os andares do Cyrela Corporate ocupados pelo Nubank, 17 dos 22 andares do prédio em Pinheiros, segundo fonte ouvida pela Exame.
Gráfico do dia

O gráfico mostra quantos compradores de cada geração pagam mais de R$ 100 mil de entrada no imóvel, pela pesquisa da Brain com a Abrainc. Entre os Baby Boomers são 40%; na Geração Z, 3%.
O que chama atenção é a forma de pagar. O financiamento bancário aparece para 44% da Geração Z e para 15% dos Baby Boomers. A venda de outro imóvel faz o caminho inverso: 36% dos Baby Boomers e 5% da Geração Z. "Quanto mais jovem, mais é importante financiamento bancário porque ele tem menos poupança guardada", diz Araújo.
Para quem lança, são dois compradores no mesmo stand. Um chega com a entrada pronta e o imóvel antigo para vender; o outro chega com a parcela. A tabela de vendas que serve a um raramente serve ao outro.
40% | dos Baby Boomers pagam mais de R$ 100 mil de entrada
3% | da Geração Z fazem o mesmo
44% | da Geração Z dependem do financiamento bancário
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Feedback
Resposta da enquete: 71%. É a taxa média de adesão ao programa de personalização da Plaenge em Curitiba desde 2022, segundo o HojePR.
Até sexta-feira.
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