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Apartamento em Balneário Camboriú: o arquiteto que repete

Quem compra veraneio em Balneário Camboriú decide de outra cidade e volta a contratar quem desenhou o interior. O Projeto Orla, do Studio Volarque, soma mais de cinco trabalhos do escritório para a mesma família.

Marco Andolfato··8 min de leitura

TL;DR

  • O Studio Volarque, de Curitiba, assinou um apartamento de veraneio de 170 m² em Balneário Camboriú para uma família que já encomendou ao escritório mais de cinco projetos, segundo a Viva Decora de 17 de agosto de 2026.
  • O atributo que o projeto protege é a vista simultânea para o mar e para a mata, e é o único atributo do apartamento que a cidade pode redistribuir por lei: a nova Lei de Uso e Ocupação do Solo liberou torres de 120 a 150 metros nos corredores dos bairros, conforme a Gazeta do Povo de 14 de junho de 2026.
  • Em Balneário Camboriú, 94,4% dos domicílios de uso ocasional são apartamentos, o maior percentual do país (Censo 2022 do IBGE, publicado pelo NSC Total em 8 de setembro de 2024). O comprador do veraneio decide de longe, usa em rajadas e volta a contratar quem desenhou o interior.

Quem é o Studio Volarque e o que ele faz na orla catarinense

O Studio Volarque é um escritório de arquitetura e interiores de Curitiba, liderado pela arquiteta Camila Picoli, que projeta apartamentos de alto padrão na capital paranaense e no litoral de Santa Catarina. O trabalho mais recente publicado fora do estado é o Projeto Orla, um apartamento de 170 m² em Balneário Camboriú, apresentado pela Viva Decora em 17 de agosto de 2026.

Três fatos dessa matéria interessam a quem vende metro quadrado no litoral. O apartamento é de uso ocasional declarado, feito para um casal com duas filhas que usa o imóvel como residência de veraneio e recebe familiares ali. O projeto continua uma relação que já soma, nas palavras da publicação, mais de cinco projetos desenvolvidos para a mesma família. E o escritório trabalhou sem os projetos originais do apartamento, que não existiam mais, redesenhando o layout a partir do que estava construído.

O partido do projeto é mais revelador que a ficha técnica. Segundo a Viva Decora, o Projeto Orla parte da valorização de uma característica que a matéria chama de rara na cidade: a conexão simultânea com o mar e com a vegetação natural, um cenário descrito como cada vez mais incomum em meio à verticalização da região. O apartamento está voltado de frente para o mar, com a vista lateral direcionada ao verde. Tudo o que vem depois (o painel curvo da área social, o limestone que remete à areia, a laca clara nas paredes, os sintéticos de alta performance nas áreas de maior uso) existe para servir essa vista e sobreviver ao uso intermitente de uma casa de praia.

Interior de apartamento de 100 m² no bairro Batel, em Curitiba, com projeto do Studio Volarque
Apartamento Batel, 100 m², em Curitiba, assinado pelo Studio Volarque. Foto: Bia Nauiack.

A vista é o atributo que ninguém garante por escrito

Aqui está a parte desconfortável. Um escritório pode proteger a vista no projeto, orientando o living, rebaixando a marcenaria, trocando a mesa da área gourmet por uma bancada. Nenhum escritório, e nenhuma incorporadora, consegue proteger a vista do terreno vizinho. Em Balneário Camboriú esse risco virou texto de lei: a revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, protocolada na Câmara pelo Executivo em 3 de março de 2026, depois de quase 18 anos sem revisão (Página 3, 4 de março de 2026), autoriza torres de 120 a 150 metros nos corredores de desenvolvimento dos bairros, com a torre ocupando até 30% do terreno e recuos de 10 metros, conforme a Gazeta do Povo de 14 de junho de 2026.

Já escrevemos sobre o que essa lei faz com o discurso de venda de quem lança na cidade, em mercado imobiliário de Balneário Camboriú sai da orla. O ponto novo é o outro lado do balcão: o mesmo dispositivo que abre quadra nova para o incorporador coloca prazo de validade na vista que o arquiteto acabou de emoldurar. Quando o atributo central do imóvel depende do gabarito de um terreno que o cliente não possui, o projeto de interiores está apostando em algo que o contrato não cobre.

A tese que defendo, e que incorporador nenhum vai gostar de ouvir: em Balneário Camboriú a vista entrou na tabela de preço sem nunca ter entrado no contrato. Quem a vende como permanente transfere ao comprador um risco urbanístico que a própria empresa conhece melhor que ele, porque é ela que compra terreno na quadra de trás. O que se sustenta é vender o que não se desfaz: planta, pé-direito, proporção, orientação solar, acabamento, operação do condomínio. Atributo que o vizinho pode apagar entra na conversa com a ressalva dita em voz alta, no stand, antes da assinatura.

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Quem compra um veraneio não mora nele, e o briefing muda por isso

Balneário Camboriú é o município brasileiro com a maior proporção de apartamentos entre os domicílios de uso ocasional: 94,4%, ou 21.709 de 22.994 domicílios não ocupados de uso ocasional, segundo os resultados do universo do Censo 2022 do IBGE, publicados pelo NSC Total em 8 de setembro de 2024. Santa Catarina lidera o país na categoria, com 10,3% dos domicílios de uso ocasional contra média nacional de 7,4%.

Esse comprador vem de outra praça. Na temporada 2025/2026, os paranaenses responderam por 16,8% dos turistas do litoral catarinense, atrás dos gaúchos (18,4%) e dos próprios catarinenses (17,4%), segundo pesquisa da Fecomércio SC citada em 15 de outubro de 2026. Um escritório curitibano assinar um projeto em Balneário Camboriú para uma família que ele já atende tem explicação simples: o arquiteto viaja com o cliente, e o cliente leva para o litoral o profissional que conhece a casa dele em Curitiba.

Para quem desenha, isso redefine o programa: armário que receba seis pessoas de uma vez, material que aguente sal e meses fechado, layout que funcione com casa cheia e com casal sozinho. Para quem lança, redefine o funil. A decisão é tomada em outra cidade, muitas vezes sem visita presencial, o que joga o peso da conversão para a imagem, a planta humanizada e o tour, como nos lançamentos que atendemos em parceria com escritórios de arquitetura de alto padrão.

O ativo que a incorporadora entrega e o escritório conserva

A incorporadora vende aquele apartamento uma vez. O escritório de arquitetura vendeu para a mesma família mais de cinco vezes. Essa assimetria é o dado mais barato e mais ignorado do alto padrão do litoral: a recorrência mora no interior, não na fachada. Quando a entrega das chaves encerra o relacionamento, a empresa está doando a renda recorrente da família para o profissional que vai reformar o imóvel, mobiliar o próximo e opinar sobre onde comprar o seguinte.

A contra-argumentação é legítima. Uma carteira construída sobre uma família não escala: cinco projetos para o mesmo cliente é anuidade de um, dependente de indicação, e traz o mesmo problema de concentração de uma incorporadora com um único lançamento. E a incorporadora pode responder que o comprador recorrente também é dela, porque o investidor da cidade compra segunda e terceira unidade. A diferença está em quem registra essa recorrência: o escritório sabe o nome das filhas do cliente, e o CRM da incorporadora costuma saber o CPF do titular.

A TBO renderiza para escritórios como o Studio Volarque na linha de estudo, e a leitura que tiramos dessas pranchas é a mesma há anos: o projeto que convence é o que mostra o que o morador vai ver da poltrona, com a vista real do terreno, incluindo o prédio que já está lá. Imagem que apaga o vizinho vende mais rápido e devolve o cliente mais cedo.

Perguntas frequentes

Vale contratar um arquiteto de outra cidade para um apartamento em Balneário Camboriú?

É o que acontece na prática com o comprador de veraneio, que vem de outra praça. O Projeto Orla, de 170 m², foi assinado por um escritório de Curitiba, o Studio Volarque, para uma família que já tinha mais de cinco projetos com o time (Viva Decora, 17 de agosto de 2026). O que pesa é a familiaridade com o cliente e a capacidade de acompanhar obra à distância, com fornecedor local contratado para execução e medição.

A vista de um apartamento em Balneário Camboriú pode ser bloqueada por um prédio novo?

Pode, e o risco mudou de endereço em 2026. A revisão da lei de uso e ocupação do solo autoriza torres de 120 a 150 metros nos corredores de desenvolvimento dos bairros, não apenas na orla e no Centro (Gazeta do Povo, 14 de junho de 2026). Antes de comprar pela vista, vale consultar o zoneamento do terreno vizinho e do terreno de trás na prefeitura.

Por que tanta gente compra apartamento em Balneário Camboriú para usar poucas semanas por ano?

Porque a cidade se especializou nisso. O Censo 2022 do IBGE registrou 22.994 domicílios de uso ocasional no município, dos quais 94,4% são apartamentos, o maior percentual do Brasil (NSC Total, 8 de setembro de 2024). O produto local é desenhado para uso intermitente, com estrutura de condomínio que sustenta o imóvel fechado parte do ano.

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Perguntas frequentes

É o que acontece na prática com o comprador de veraneio, que vem de outra praça. O Projeto Orla, de 170 m², foi assinado por um escritório de Curitiba, o Studio Volarque, para uma família que já tinha mais de cinco projetos com o time, segundo a Viva Decora de 17 de agosto de 2026. O que pesa é a familiaridade com o cliente e a capacidade de acompanhar obra à distância, com fornecedor local contratado para execução e medição.

Pode, e o risco mudou de endereço em 2026. A revisão da lei de uso e ocupação do solo autoriza torres de 120 a 150 metros nos corredores de desenvolvimento dos bairros, não apenas na orla e no Centro, conforme a Gazeta do Povo de 14 de junho de 2026. Antes de comprar pela vista, vale consultar na prefeitura o zoneamento do terreno vizinho e do terreno de trás.

Porque a cidade se especializou nisso. O Censo 2022 do IBGE registrou 22.994 domicílios de uso ocasional no município, dos quais 94,4% são apartamentos, o maior percentual do Brasil, segundo o NSC Total de 8 de setembro de 2024. O produto local é desenhado para uso intermitente, com estrutura de condomínio que sustenta o imóvel fechado parte do ano.

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