Escritório de arquitetura em Curitiba: a mostra é o teste
Na CASACOR Paraná 2026, a Arquitetare assinou 90 m² para apresentar o produto que a GT Building ainda não lançou. Para o escritório curitibano, dez edições de mostra viraram um método de testar narrativa de produto antes do stand.
- Na CASACOR Paraná 2026, o ambiente da Arquitetare tinha 90 m² e uma função declarada pela própria mostra: apresentar o novo produto da GT Building, que ainda não havia sido lançado.
- A incorporadora descreveu o espaço como teaser da atmosfera e da experiência do próximo projeto. A mostra entrou no calendário de lançamento, antes do stand e do decorado.
- O escritório curitibano chegou à nona participação na mostra em 2024, segundo a CASACOR. O repertório que isso cria é método de teste, e método se contrata.
Mostra de arquitetura costuma ser lida pelo mercado imobiliário como vitrine de acabamento: o incorporador vai, anota a pedra, pergunta o nome do marmorista. A edição de 2026 da CASACOR Paraná ofereceu material para uma leitura menos confortável. Um dos 41 ambientes era, pela descrição oficial, a apresentação de um produto imobiliário que nenhum corretor tinha em tabela.
Quem é a Arquitetare
A Arquitetare é um escritório de arquitetura de Curitiba liderado pela arquiteta e urbanista Elaine Zanon e pela designer de interiores Claudia Machado, com atuação em arquitetura residencial de alto padrão, interiores e projetos corporativos. A CASACOR, ao apresentar o ambiente de 2024 do escritório, o descreve como escritório de arquitetura curitibano liderado pelas duas. O próprio escritório informa mais de três décadas de atividade e mais de 1.500 projetos, número que não tem verificação independente disponível. As fontes divergem sobre o ano exato de fundação, então a conta de anos fica fora deste texto.
A obra mais publicada é a Casa PI, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba: 460 m², publicada pelo ArchDaily em dezembro de 2020, com um balanço de nove metros como elemento estruturante da fachada. O Refúgio Deca, ambiente da CASACOR Paraná 2024, também está no ArchDaily. Uma particularidade do escritório, raramente citada no setor: a equipe é formada só por mulheres.

O que o ambiente de 2026 era de fato
A CASACOR Paraná 2026 ocorreu de 10 de maio a 5 de julho, na Avenida Cândido Hartmann, no Bigorrilho, com 41 ambientes e o tema Mente e Coração. O recorte já tinha sido tratado aqui quando a mostra foi anunciada, em CASACOR Paraná 2026: novo endereço no Bigorrilho. O que não existia naquele momento era o ambiente pronto, e é ele que interessa.
O Lounge GT Building, assinado pela Arquitetare, tinha 90 m². A descrição na página da CASACOR diz que o ambiente foi concebido para apresentar o novo produto da incorporadora, com uma leitura do morar diferente da tradicional. A GT Building, em publicação no próprio site em 1º de junho de 2026, foi mais explícita: o lounge antecipa conceitos que estarão presentes em um futuro lançamento e funciona como teaser da atmosfera, da arquitetura e da experiência do próximo projeto, com referência de hospitalidade aplicada ao mercado imobiliário.
Em linguagem de incorporação: a empresa pagou um ambiente de mostra para colocar o conceito do produto na frente de público qualificado meses antes de existir stand, decorado, tabela ou campanha. Quem desenhou esse teste foi o escritório de arquitetura, não a agência.
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Abrir calculadora →A tese: a mostra é o teste de produto mais barato do calendário
O decorado do stand custa caro, chega tarde e mede pouco. Ele é construído depois de o produto estar aprovado, com a planta congelada e o VGV comprometido. Quando o decorado mostra que a narrativa não pega, o custo de mudar já está incorporado na obra. O ambiente de mostra inverte a ordem: vem antes da decisão irreversível, custa uma fração e é visitado por dezenas de milhares de pessoas que pagaram ingresso para olhar arquitetura com atenção.
Há um segundo ganho, menos óbvio. Dentro da mostra, o conceito aparece sem preço, sem corretor e sem tabela. O visitante reage ao morar proposto, não à parcela. Para testar se a tese de produto se sustenta sozinha, isso é um ambiente mais limpo que qualquer plantão de vendas.
A objeção existe e é séria. Público de mostra não é público comprador, e a mostra premia o que fotografa bem. Em Curitiba a tensão fica medível: pesquisa da ADEMI-PR com a BRAIN, apresentada no Panorama Imobiliário em parceria com o Secovi-PR e publicada pelo Imobi Report em 11 de maio de 2026, aponta que estúdios e compactos chegaram a quase 70% dos lançamentos verticais da capital no primeiro trimestre do ano. A mesma pesquisa registra intenção de compra estável em 49% e financiamento presente em 69,2% das negociações. Esse perfil de praça já foi tratado aqui em a virada dos compactos.
Ou seja: a cidade lança majoritariamente metragem pequena, e o teste de produto acontece num lounge de 90 m² com gramática de hotelaria. Validar hospitalidade em 90 m² e vender estúdio de 28 m² são exercícios diferentes. O teste só vale se a pergunta levada à mostra for a pergunta certa — qual conceito de serviço o comprador reconhece como valor — e não a pergunta fácil, que é se o ambiente ficou bonito.
Dez edições são repertório, e repertório é contratável
Segundo a CASACOR, o Refúgio Deca marcou a nona participação da Arquitetare na mostra paranaense, em 2024, na 30ª edição do evento no estado. Com o ambiente de 2026, a contagem do próprio escritório chega a dez edições.
O valor acumulado aí não é estético. Quem passou por dez edições sabe operar uma restrição que o projeto residencial não tem: prazo fixo inegociável, orçamento com patrocinador, obra em canteiro compartilhado, montagem com fornecedor que precisa ver sua marca no resultado, e uma peça que será fotografada, publicada e julgada por pares. Essa é, com outro nome, a descrição de um estande ou de um decorado de lançamento.
Para o incorporador que avalia escritórios, isso muda a pergunta da reunião. Em vez de pedir portfólio de casas, vale perguntar quantas mostras o escritório entregou, como negociou patrocínio de material e o que aprendeu de reação de público em cada uma. Quem tem dez edições tem dez ciclos de observação de comportamento diante de um ambiente novo. Esse repertório é o que separa um escritório que desenha bem de um escritório que entrega produto sob pressão de calendário.
O que fazer com isso antes da próxima mostra
Três movimentos cabem no próximo trimestre. Primeiro, decidir se o próximo lançamento tem alguma hipótese de produto que valha ser testada em público antes da aprovação definitiva da planta, e escrever essa hipótese em uma frase. Segundo, tratar o ambiente de mostra como peça de pesquisa, com alguém medindo permanência, pergunta recorrente e objeção, em vez de contar visitante. Terceiro, escolher o escritório pela capacidade de operar o calendário, e definir no contrato quem é dono das imagens do ambiente, porque elas costumam ser o primeiro acervo visual do empreendimento.
Duas coisas a mostra não resolve: ela testa conceito, não preço, e não substitui pesquisa quantitativa de demanda. Um ambiente premiado sobre um produto que a praça não absorve continua sendo um produto que a praça não absorve.
A Arquitetare é um dos escritórios que usam a TBO para visualização de arquitetura, na linha de estudo em SketchUp e Lumion, usada para aprovar partido e materiais com o cliente antes da imagem final. O perfil dos outros quatro está em escritórios de arquitetura do Brasil.
Perguntas frequentes
Quem são as sócias da Arquitetare, em Curitiba?
A Arquitetare é liderada pela arquiteta e urbanista Elaine Zanon e pela designer de interiores Claudia Machado, em Curitiba, com equipe formada só por mulheres. O escritório atua em arquitetura residencial de alto padrão, interiores e projetos corporativos, e tem obras publicadas no ArchDaily, entre elas a Casa PI, em Pinhais, e o Refúgio Deca, da CASACOR Paraná 2024.
Qual ambiente a Arquitetare assinou na CASACOR Paraná 2026?
O Lounge GT Building, de 90 m². Segundo a página do ambiente na CASACOR, o espaço foi concebido para apresentar o novo produto da incorporadora GT Building, com uma leitura do morar diferente da tradicional. A GT Building informou em seu site, em 1º de junho de 2026, que o lounge funciona como teaser do próximo lançamento, com referência de hospitalidade aplicada ao mercado imobiliário.
Vale a pena para uma incorporadora patrocinar um ambiente de mostra?
Vale quando existe uma hipótese de produto a testar antes de a planta ser congelada, e quando alguém mede a reação do público em vez de contar visitantes. O ambiente chega mais cedo e custa menos que o decorado do stand, e expõe o conceito sem preço e sem corretor. Não serve para validar preço nem para substituir pesquisa de demanda da praça.
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A Arquitetare é liderada pela arquiteta e urbanista Elaine Zanon e pela designer de interiores Claudia Machado, em Curitiba, com equipe formada só por mulheres. O escritório atua em arquitetura residencial de alto padrão, interiores e projetos corporativos, e tem obras publicadas no ArchDaily, entre elas a Casa PI, em Pinhais, e o Refúgio Deca, da CASACOR Paraná 2024.
O Lounge GT Building, de 90 m². Segundo a página do ambiente na CASACOR, o espaço foi concebido para apresentar o novo produto da incorporadora GT Building, com uma leitura do morar diferente da tradicional. A GT Building informou em seu site, em 1º de junho de 2026, que o lounge funciona como teaser do próximo lançamento, com referência de hospitalidade aplicada ao mercado imobiliário.
Vale quando existe uma hipótese de produto a testar antes de a planta ser congelada, e quando alguém mede a reação do público em vez de contar visitantes. O ambiente chega mais cedo e custa menos que o decorado do stand, e expõe o conceito sem preço e sem corretor. Não serve para validar preço nem para substituir pesquisa de demanda da praça.
