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Tendência de hobbies 2026: o hobby não cabe em 30 m²

O Hobbies Trend Report do Pinterest, divulgado em agosto de 2026, aponta nove tendências de passatempo fora da tela. No Brasil, o Google Trends mostra outra coisa: quem cresce não é o hobby, é o lugar do hobby. E em Curitiba, com quase 70% dos lançamentos em compactos e 25% dos domicílios com uma só pessoa, a conta fecha ainda menos.

Marco Andolfato··14 min de leitura
Tendência de hobbies 2026: o hobby não cabe em 30 m²
  • O Pinterest divulgou em agosto de 2026 o Hobbies Trend Report: nove tendências, todas de atividade manual fora da tela. Buscas por flores secas e prensadas subiram 457%, fotografia analógica de natureza 210% e 51% da geração Z diz que ter um hobby contribui para a própria alegria (dados internos da plataforma, maio de 2025 contra maio de 2026).
  • No Brasil, o Google Trends não mostra alta do hobby. Mostra alta do lugar do hobby: "hobby box" saiu de um índice médio de 4 em 2021 e 2022 para 55 nas últimas doze semanas, enquanto "crochê" caiu de 84 para 60 no mesmo intervalo.
  • Em junho de 2026, os compactos de 30 a 45 m² foram 70% dos lançamentos residenciais de São Paulo (Secovi-SP). A atividade que o comprador diz querer não cabe na unidade que o mercado está entregando.

O relatório saiu com cara de pauta de moda e conteúdo de produto. O Pinterest publicou em agosto de 2026 o seu Hobbies Trend Report, um recorte de dados internos comparando buscas de maio de 2025 com maio de 2026, e o resumo cabe em uma frase: as pessoas estão procurando o que fazer com as mãos quando o celular está longe. São nove tendências nomeadas, Kitchen Witch, Cosmic Reset, Home Cafe Engineering, Backyard Botanist, Weekend Equestrian, Secondhand Sidequest, Handmade Hacker, Curated Clutter e Casual Crafter, e todas produzem alguma coisa física. Flor prensada. Caneca de cerâmica. Camisa remendada. Café coado com balança e termômetro sobre uma bancada que alguém precisou desenhar.

Os números que sustentam o recorte: buscas por flores secas e prensadas em alta de 457%, fotografia analógica de natureza 210%, meditação na natureza 146%, estética de reparo 167%. Do lado do comportamento, 51% da geração Z afirma que ter um hobby contribui para a própria alegria e oito em cada dez usuários mensais dizem que a plataforma os incentiva a experimentar algo novo fora da tela.

O que o relatório mede, e o que ele não mede

Antes de transformar isso em decisão de produto, vale a checagem de método, porque ela muda o peso do dado. O relatório é feito com dados proprietários de uma plataforma de descoberta visual, não é uma amostra probabilística da população, e o próprio recorte deste ano nasceu de uma parceria comercial com a Warner Bros. Pictures em torno da estreia de Practical Magic 2, em setembro. Isso não invalida nada. Busca em plataforma é um indicador de intenção honesto e antecipado, e o Pinterest é o lugar onde a pessoa planeja o que ainda não fez. Mas é intenção declarada por um público específico, num aplicativo específico, com um patrocinador no meio. Serve como direção. Não serve como censo.

O contraponto que dá lastro vem de quem vende o material. A Michaels, maior varejista de artesanato dos Estados Unidos, publicou em março de 2026 o seu Creativity Trend Report cruzando vendas próprias com busca: hobbies analógicos como tricô, crochê, bordado e pintura subiram 136% em seis meses, acessórios de lã cresceram 40% em vendas na comparação anual, kits guiados de artesanato 86%, buscas por cerzido visível 144%, por ponto de cruz 251%. Quando a busca sobe e a venda de insumo sobe junto, o movimento deixou de ser estética de rede social e virou consumo. E consumo de material físico exige, invariavelmente, dois recursos que o mercado imobiliário brasileiro vem cortando: superfície e armazenamento.

No Brasil, a busca não é pelo hobby. É pelo lugar do hobby

Puxamos a série do Google Trends para o Brasil, cinco anos, e o resultado desmonta a leitura preguiçosa de que basta importar a tendência americana. Índice do Google Trends é relativo, de 0 a 100 dentro da própria série de cada termo, então ele mostra a direção da curva e não o volume absoluto, e a comparação entre termos consultados separadamente é indicativa. Feita a ressalva, a direção é clara.

  • Crochê: média 84 nas primeiras 52 semanas da série, 60 nas últimas doze. Caindo.
  • Jardinagem: 27 para 22. Estável em patamar baixo.
  • Marcenaria: 72 para 87. Subindo.
  • Cerâmica artesanal: 27 para 57. Mais que dobrou.
  • Hobby box: 4 para 55. Fora de escala em relação a tudo o que está acima.
Grafico comparando o indice de busca no Google Trends Brasil de hobby box, ceramica artesanal, marcenaria, jardinagem e croche entre 2021-22 e as ultimas 12 semanas
Os hobbies que cabem no colo caem. Os que exigem bancada sobem. E o termo que mais cresce descreve o espaço, não a atividade. Levantamento TBO no Google Trends, geografia Brasil, janela de cinco anos encerrada em 29 de agosto de 2026.

Leia a lista de novo na ordem certa. Os hobbies que caem no Brasil são os que cabem no colo, feitos no sofá, ao lado da televisão. Os que sobem são os que exigem bancada, ferramenta, sujeira, ruído e um lugar para guardar a peça enquanto ela seca. E o termo que explodiu não é hobby nenhum: hobby box é vocabulário de mercado imobiliário, o depósito privativo de até 4 m² vendido junto com a unidade, quase sempre encostado na vaga de garagem. Ele saiu de um índice médio de 4 para 55 enquanto o crochê encolhia.

O brasileiro não está pesquisando como fazer. Está pesquisando onde colocar.

A conta que não fecha

Enquanto a demanda por espaço de fazer sobe, a oferta de metro quadrado privativo faz o caminho oposto, e não por descuido. Em junho de 2026, segundo o Secovi-SP, os compactos de 30 a 45 m² responderam por 70% dos lançamentos residenciais da capital paulista, 8.777 unidades colocadas no mercado, e por 64% das vendas. O ticket médio desses compactos ficou em torno de R$ 317 mil e o segmento gerou R$ 1,9 bilhão em VGV, 46% do valor total do mercado residencial da cidade. A lógica é defensável: encolher a unidade é o que mantém o produto dentro da faixa de financiamento e da tabela que o comprador aguenta. Nós mesmos já tratamos do risco de repetir essa fórmula fora do centro e de quais tipologias compactas realmente vendem.

Interior de apartamento studio compacto de 30 metros quadrados em Sao Paulo, com sala, cozinha e area de dormir integradas
Studio de 30 m² no Tatuapé, São Paulo. A tipologia que respondeu por 70% dos lançamentos da capital em junho de 2026 tem uma bancada, e ela é a da cozinha. Imagem: Imobiliária Pedro Lima.

O problema não é o compacto. É a contradição entre a peça de venda e a planta. O material de lançamento vende vida ativa, cozinha de verdade, bicicleta, planta, vinil, e entrega 32 m² sem tanque, sem bancada úmida fora do banheiro, sem tomada em altura de bancada na varanda e sem um metro de armário que aceite uma caixa de ferramentas. O comprador de 2026 não descobre isso na maquete. Descobre no segundo mês de moradia, quando a mesa de jantar vira bancada de resina e a sala cheira a tinta.

Curitiba: a praça onde a conta fecha ainda menos

São Paulo é o mercado que gera manchete. Curitiba é o que gera o caso extremo. No primeiro trimestre de 2026, quase 70% dos lançamentos verticais da capital paranaense foram estúdios e compactos, segundo o Panorama Imobiliário da Ademi-PR com a Brain Inteligência Estratégica, em parceria com o Secovi-PR. Foram 1.863 apartamentos verticais lançados em três meses, praticamente o mesmo volume de toda a Região Metropolitana somada, e a cidade registrou a menor área média da série histórica. O compacto já responde por cerca de 38% do estoque disponível.

Painel com quatro numeros do mercado imobiliario de Curitiba no primeiro trimestre de 2026: 70% dos lancamentos verticais sao estudios e compactos, 1.863 apartamentos lancados, 38% do estoque e compacto e 25% dos domicilios tem uma so pessoa
Curitiba lança proporcionalmente mais compacto que São Paulo e tem mais gente morando sozinha. Os dois vetores empurram na mesma direção. Compilação TBO a partir da Ademi-PR, Brain Inteligência Estratégica e Censo 2022 do IBGE.

O número que muda a leitura, porém, é demográfico. 25% dos domicílios de Curitiba são ocupados por uma única pessoa, segundo o Censo 2022, taxa acima da média do Paraná e da média brasileira. E a venda de compactos na cidade cresceu 210% entre 2015 e 2024. Quem mora sozinho não tem para onde empurrar a bagunça do processo: não existe segundo quarto, não existe quarto de despejo, não existe mesa de jantar que possa ficar ocupada por três dias sem conflito. A peça que está secando fica na única bancada que a casa tem, que é a da cozinha.

Studio compacto no centro de Curitiba, lancamento do Grupo Plaenge, com ambientes integrados
Estúdio no Centro de Curitiba. Perto de 40% dos estúdios lançados na cidade estão na região central, onde o comprador troca metragem por localização. Imagem: Invictta.

O que a busca no Paraná mostra, e o que ela não mostra

Rodamos a mesma série de cinco anos do Google Trends com recorte estadual. O sinal de comportamento se repete: marcenaria sobe de um índice médio de 68 para 80, e crochê cai de 84 para 58, mesma direção do resultado nacional. Já hobby box aparece próximo de zero no Paraná, com 51 das últimas 53 semanas zeradas.

Aqui é preciso honestidade de método, porque a leitura fácil seria a errada. Recorte estadual tem volume muito menor que o nacional, e termo de cauda longa simplesmente não atinge o limiar de amostragem do Google: zero na série significa abaixo do limiar, não ausência de demanda. O que dá para afirmar é mais útil que uma conclusão falsa: o comportamento já chegou ao Paraná, o vocabulário ainda não. Em São Paulo o comprador já procura a solução pelo nome. Em Curitiba ele ainda vai descobrir que ela tem nome, e quem batizar primeiro define o termo da praça.

Vale a ressalva que a própria Ademi-PR levantou na apresentação do Panorama: existe preocupação com o descompasso entre o volume de lançamento de compacto e a demanda real de locação, com LSO residencial de 23,7% no trimestre. Num mercado com esse tanto de produto parecido chegando ao mesmo tempo, diferenciação deixa de ser exercício de marca e vira defesa de tabela. Já escrevemos sobre a virada dos compactos em Curitiba e sobre o risco de exportar essa fórmula para a Região Metropolitana. O espaço de fazer é uma das poucas diferenciações que ainda não foram copiadas por todo mundo na praça.

O que muda no produto, na prática

Nada aqui é amenidade nova na lista. É infraestrutura, que custa menos e resolve mais.

Hobby box em condominio residencial: compartimento privativo de deposito junto a garagem
O hobby box de condomínio hoje: metragem e cadeado. Com tomada, luz, prateleira modulada e ventilação, ele deixa de ser armário e vira unidade autônoma de receita. Imagem: TudoCondo.

1. Trate o hobby box como produto, não como sobra de garagem

Hoje ele é vendido como armário grande: metragem, cadeado, fim. Um depósito de 3 a 4 m² com tomada, iluminação decente, prateleira modulada e ventilação passa a aceitar bicicleta em manutenção, caixa de ferramenta, prancha, material de pintura e a peça de cerâmica que precisa secar sem virar assunto de convívio. Ficha técnica publicada e preço próprio o transformam em unidade autônoma de receita, não em concessão de negociação. Com "hobby box" subindo de 4 para 55 na busca, existe demanda entrando na palavra antes de existir oferta desenhada para ela.

2. Área comum que produz, não área comum que recebe

O padrão brasileiro de lazer é feito para receber: piscina, salão de festas, academia, espaço gourmet, coworking, pet place. Todos são espaços de recepção e consumo. Nenhum aceita sujeira. Uma oficina compartilhada de 25 m² com tanque, bancada de trabalho, piso lavável, tomada 220V, exaustão e armários nominais por unidade atende marcenaria, cerâmica, restauro, jardinagem em vaso e montagem de bicicleta ao mesmo tempo. Custa uma fração da piscina e não tem custo de manutenção comparável. Já mapeamos o que as áreas de lazer realmente agregam ao produto, e a conclusão vale aqui: espaço que a pessoa usa toda semana vale mais que espaço que ela fotografa uma vez.

3. Devolva a metragem em infraestrutura, não em decoração

Se a unidade vai encolher, o que sai dela precisa reaparecer em algum lugar. Ponto de água extra na varanda técnica, tomada em altura de bancada, um metro linear de armário alto no hall interno e piso que aceite tinta são decisões de projeto de baixo custo unitário que mudam o que o morador consegue fazer dentro de 32 m². Elas não aparecem na perspectiva, aparecem na permanência.

4. O decorado precisa mostrar a atividade, não o objeto

Decorado de compacto ainda é fotografado vazio e arrumado, herança do discurso de que espaço pequeno se vende com sensação de amplitude. O comprador que o Pinterest está descrevendo quer ver a bancada com a peça em execução, o armário com o material guardado, a bicicleta pendurada de forma que caiba. Mostrar uso é mais difícil de fotografar e mais difícil de esquecer. Tem relação direta com o deslocamento do luxo do ostensivo para o silencioso: o valor migrou do acabamento exibido para a vida possível.

5. Nomeie o espaço pelo que ele permite

"Ateliê" na planta sem tanque e sem exaustão é nome sem infraestrutura, e o mercado percebe rápido. Se o espaço aceita sujeira, chame de oficina e liste o que ele tem. Se não aceita, não chame. Amenidade batizada acima da própria capacidade é a forma mais barata de perder confiança na visita, e a mais cara de consertar depois da entrega.

O erro de leitura mais caro

Espaco de coworking em area comum de condominio residencial, com mesas compartilhadas e cadeiras
O coworking de condomínio é o precedente que este artigo pede para não repetir: espaço desenhado como argumento de venda, não como serviço. Imagem: Condo.news.

O caminho fácil, e provavelmente o mais percorrido nos próximos doze meses, é somar "ateliê criativo" e "horta comunitária" à lista de amenidades do próximo lançamento, sem tanque, sem armário nominal e sem regra de reserva, e chamar isso de resposta à tendência. Já vimos esse filme com coworking. Entre 2020 e 2023, todo lançamento de médio padrão ganhou um coworking, e uma boa parte deles virou sala vazia com tomada, porque o espaço foi desenhado como argumento de venda e não como serviço. A diferença entre amenidade e infraestrutura é banal de descrever e cara de ignorar: infraestrutura é o que continua sendo usado no terceiro ano.

Há também um risco de importação. O Weekend Equestrian do relatório é um recorte de consumo de moda de um público do hemisfério norte e não descreve o comprador de Curitiba ou de Balneário Camboriú. Já cerâmica, marcenaria e restauro aparecem subindo na série brasileira e conversam com a agenda de materialidade e trabalho manual no produto de alto padrão que vem se firmando desde o Salone. Ler tendência global sem filtrar pelo dado local é como usar taxa de juros americana em estudo de viabilidade brasileiro.

Por que isso importa agora

O Brasil é o segundo país do mundo em tempo diário de tela, 9 horas e 32 minutos por pessoa, atrás apenas da África do Sul, segundo o relatório Digital 2024 da We Are Social com a Meltwater. O cansaço de tela aqui é maior que a média global, e a demanda por atividade manual tende a ser proporcionalmente mais forte, não mais fraca. Ao mesmo tempo, a unidade média está no menor patamar da série e o mercado disputa o mesmo comprador com a mesma lista de amenidades desde 2019.

Existe um espaço aberto e barato de ocupar: ser o primeiro lançamento da praça a tratar o fazer como programa de necessidades, não como tema de campanha. Não exige VGV adicional. Exige um projetista disposto a colocar um tanque onde ninguém coloca e um time comercial disposto a vender o que o morador vai fazer, em vez do que ele vai mostrar.

Perguntas frequentes

O que é o Pinterest Hobbies Trend Report 2026?

É um relatório de tendências divulgado pelo Pinterest em agosto de 2026, baseado em dados internos de busca da plataforma comparando maio de 2025 com maio de 2026. Ele descreve nove tendências de passatempo, todas de atividade manual fora da tela, e traz recortes de comportamento como 51% da geração Z dizendo que ter um hobby contribui para a própria alegria. É dado proprietário de plataforma, não amostra populacional.

O que a tendência de hobbies manuais muda no produto imobiliário?

Muda o programa de necessidades. Atividade manual exige superfície de trabalho, ponto de água, ventilação, tomada em altura de bancada e lugar para guardar material e peça em processo. São itens de infraestrutura, de custo baixo por unidade, que hoje não existem nem no compacto de 32 m² nem na área comum desenhada para receber visita.

Hobby box vale como argumento de venda?

A busca por "hobby box" no Brasil subiu de um índice médio de 4 em 2021 e 2022 para 55 nas últimas doze semanas do Google Trends, curva bem mais forte que a de qualquer hobby pesquisado no mesmo período. O que costuma faltar não é a demanda e sim o desenho: um depósito com tomada, luz, prateleira e ventilação vende como unidade autônoma, enquanto um nicho sem instalação vira moeda de desconto na negociação.

As fontes primárias estão em Michaels Unveils 2026 Creativity Trend Report, 10 de março de 2026, na cobertura do Hobbies Trend Report do Pinterest publicada pelo WWD em agosto de 2026, e nos números de junho de 2026 do Secovi-SP sobre compactos. Os dados de Curitiba são do Panorama Imobiliário da Ademi-PR com a Brain Inteligência Estratégica, primeiro trimestre de 2026, e do Censo 2022 do IBGE. As séries de busca citadas foram levantadas pela TBO no Google Trends, Brasil, janela de cinco anos encerrada em 29 de agosto de 2026.

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Perguntas frequentes

É um relatório de tendências divulgado pelo Pinterest em agosto de 2026, baseado em dados internos de busca da plataforma comparando maio de 2025 com maio de 2026. Ele descreve nove tendências de passatempo, todas de atividade manual fora da tela, e traz recortes de comportamento como 51% da geração Z dizendo que ter um hobby contribui para a própria alegria. É dado proprietário de plataforma, não amostra populacional.

Muda o programa de necessidades. Atividade manual exige superfície de trabalho, ponto de água, ventilação, tomada em altura de bancada e lugar para guardar material e peça em processo. São itens de infraestrutura, de custo baixo por unidade, que hoje não existem nem no compacto de 32 m² nem na área comum desenhada para receber visita.

Porque os dois vetores empurram na mesma direção. No 1º trimestre de 2026, quase 70% dos lançamentos verticais da capital foram estúdios e compactos e a área média foi a menor da série histórica, segundo a Ademi-PR com a Brain. Ao mesmo tempo, 25% dos domicílios da cidade têm uma só pessoa (Censo 2022), acima das médias do Paraná e do Brasil. Quem mora sozinho em unidade pequena não tem cômodo sobrando para acomodar o processo de um hobby manual.

A busca por "hobby box" no Brasil subiu de um índice médio de 4 em 2021 e 2022 para 55 nas últimas doze semanas do Google Trends, curva bem mais forte que a de qualquer hobby pesquisado no mesmo período. No recorte do Paraná o termo ainda fica abaixo do limiar de amostragem, ou seja, o comportamento chegou e o vocabulário não: quem nomear primeiro define o termo da praça. O que costuma faltar não é a demanda e sim o desenho, porque um depósito com tomada, luz, prateleira e ventilação vende como unidade autônoma, enquanto um nicho sem instalação vira moeda de desconto.

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